Braz Antunes Mattos*

A constatação é cruel: nosso modelo de atendimento à Saúde simplesmente não funciona. Esta afirmação  foi feita pelo próprio Ministro José Gomes Temporão. Faltam profissionais e sobram filas. O desespero de quem só conta com o SUS é enorme, pois parece que  é preciso sofrer muito, até às raias do insuportável, para se conseguir um tratamento digno, embora a Constituição diga que todos têm direito à Saúde.  

Os salários pagos pelo serviço público aos profissionais da área são irreais. Eventuais gratificações não resolvem a situação, obviamente. Ideias são apresentadas, verbas são destinadas, mas tudo permanece no mesmo estado latente de caos. E os municípios têm na Saúde o seu grande problema, o principal motivo de reclamações. Esperar seis horas em um pronto socorro, aguardar meses por uma cirurgia, rezar para que apareça um abençoado ortopedista, seja quando for, ou mesmo um Psiquiatra, ou ainda que uma prótese dentária seja entregue pelo menos em um ano, é a nossa triste  realidade. 

Algumas medidas são necessárias, a começar pela regulamentação da Emenda 29 (que aguarda votação há uma década, pelo menos), estabelecendo recursos orçamentários mínimos a serem investidos em Saúde pelos municípios, estados e União. Verbas são sempre bem vindas, mas são sempre insuficientes.  

Por outro lado, a privatização da Saúde deve ser vista com cautela, principalmente nos moldes em que foi efetivada em muitos locais, pois os gestores nem sempre apresentam  visão social aprofundada, com o devido comprometimento com a Saúde Pública.  

Enquanto o atendimento público não consegue suprir as necessidades e submete as pessoas a verdadeiros calvários, a situação econômica da maioria da população se reflete na ociosidade dos consultórios particulares, em  diversas especialidades. O  profissional não encontra trabalho, de um lado, e a população não consegue  atendimento, de outro.  

Juntar a dor com a vontade de curar pode ser uma alternativa. Foi basicamente esta ideia que levamos, juntamente com o Presidente do Conselho Regional de Odontologia, Dr. Emil Adib Razuk,  ao Prefeito João Paulo Tavares Papa, recentemente, e que pode ser perfeitamente adotada em todas as cidades da Região e do Estado, na forma de convênios, a exemplo do que ocorre com a OAB: os profissionais que se interessassem, atenderiam aos pacientes encaminhados pelas unidades básicas de Saúde, em troca da redução tributária proporcional  do ISS ou outros tributos. Para estes cálculos, seria empregada a tabela de procedimentos da FIPE, que apresenta valores  mais justos que os do SUS. E que mereceu o apoio da Agência Nacional de Saúde. 

Os órgãos classistas, como Conselhos, Associações e Sindicatos, fariam a coordenação selecionando os profissionais participantes e, obviamente, as Prefeituras enviariam às respectivas câmaras municipais projetos de lei a respeito. Acredito que a alternativa deve ser discutida com  a máxima seriedade e profundidade, especialmente porque o objetivo é beneficiar a população e reduzir as carências no atendimento, acabando com os gargalos sem onerar as administrações municipais. E, ainda, aquecendo o mercado de prestação de serviços na área da Saúde, de forma salutar. Ao mesmo tempo, é uma forma de se buscar uma alternativa para o subfinanciamento crônico do SUS.

*Braz Antunes Mattos Neto é Cirurgião-Dentista,  candidato a deputado estadual pelo PPS (23010), Vereador em Santos pelo PPS e Presidente da Comissão Permanente de Saúde

CLIQUE NA IMAGEM E VEJA ABAIXO MATÉRIA DO
JORNAL DO CROSP SOBRE A REUNIÃO COM O PREFEITO PAPA

Diante do que aconteceu (é só ler aí em cima), os Cirurgiões-Dentistas estão se mobilizando mais ainda. A situação é grave e preocupante e o embate político promete ser dos mais difíceis.

Estou carregando um fardo pesado demais: agora que o meu partido, o PPS, resolve apoiar o Prefeito Papa, ele manda para a Câmara um projeto que prejudica a minha Classe. Situação complicada, não?

Mas não posso de jeito nenhum trair as minhas origens.

Além dos Cirurgiões-Dentistas, na Sessão de hoje estavam presentes também os motoristas e auxiliares de ambulâncias, com cartazes dizendo que eles também são trabalhadores da área da Saúde. Será que só o Secretário Odílio não vê que ele mesmo está criando insatisfação geral ao privilegiar apenas uma categoria?

Durante toda a sessão, funcionários públicos fizeram manifestações, protestando contra o Projeto que transfere a dívida da Capep para o Instituto de Previdência. Um barulho só…

Mas o Projeto foi votado e aprovado, com barulho e tudo.

Falei em explicação pessoal – parte depois de encerrada a seqüência habitual das sessões, aonde cada Vereador pode falar sobre o que quiser – a respeito da decisão do PPS de fazer parte oficialmente da base de apoio do Prefeito Papa.

Mas prestem atenção ao detalhe: NÃO PEDIMOS NENHUM CARGO !!!!

É uma questão ideológica, claramente. E isso não se troca por cargo algum.

Prefeituras brasileiras deixam de arrecadar pelo menos R$ 4 bilhões em compensações por danos ao meio ambiente. Isso porque não criaram fundos ambientais.

Olha só como é a vida: já pedi por meio de requerimento a criação do Fundo Municipal do Meio Ambiente, que inclusive está previsto desde 1992 mas não foi criado até hoje.

Depois ainda dizem que faltam recursos…

Apresentei sessões atrás um pedido para a criação pela Prefeitura de um cadastro especial de atividades comerciais potencialmente causadores de poluição sonora. O objetivo é poder controlar e fiscalizar melhor na hora de dar qualquer autorização ou alvará.

Pelo menos, ajudaria a diminuir o barulho em muitos locais. Ou prevenir…

Trabalho de Vereador é curioso: não tem feriado nem ponto facultativo nem sábado e domingo. A cabeça está sempre trabalhando e pensando em política…

Para registro e para que as futuras gerações saibam o quanto eu trabalho, recebi ontem várias pessoas ligadas à área da Cultura, especialmente a Dona Maria Araújo, presidenta da Academia Santista de Letras. Começamos a definir como será este ano a Semana de Martins Fontes, oficializada a partir de um projeto lei de minha autoria, com muita honra, logicamente…

Também recebi o pessoal do Clube Atlético Santista, que pensam em fazer uma parceria com a Prefeitura, para que as instalações possam ser utilizadas pelos alunos das escolas municipais. Defendi o Atlético com o judoca durante uns cinco anos…

Vamos fazer força para dar tudo certo. Vai ser muito bom para o Clube e mais ainda para as crianças.

Altas e ruidosas (tinha que ser, certo?) discussões sobre o barulho dos bate-estacas , na Sessão da Câmara. Precisamos regular esta atividade de alguma forma. Destaquei mais uma vez a presença dos Cirurgiões-Dentistas nas galerias, dizendo que eles estão fazendo um “movimento organizado e silencioso”, como deve ser mesmo, buscando a isonomia de salários. Falei também do Rubens Lara, comentando que ele foi o “prefeito sem mandato” de Santos. Lembrei ainda da morte triste (muito triste…) do Ronaldo Luiz Nogueira, meu amigo Dentista e grande médio volante do time dos Dentistas.

A Justiça Eleitoral adverte: é proibida a propaganda eleitoral em sites e blogs. Tá tudo certo. Só poderá em uma página criada especificamente para as eleições.

Ou seja: vocês todos estão avisados, falei? Nada de campanha aqui, certo?

Ainda sentindo muita tristeza pelo Lara. Na próxima Sessão da Câmara, vou pedir ao Governador Serra que ele seja devidamente homenageado, dando-se seu nome à estação Ecológica de Juréia-Itatins. Esta é a principal reserva ecológica do Estado e foi criada por meio de uma lei que o Lara fez e aprovou quando era deputado estadual.

Ele merece. Aliás, por tudo de bom que fez, merece muito mais…

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