Essa coisa de ser político é muito complicada…. Não existe fórmula mágica, a gente tem que ir aprendendo as coisas conforme elas acontecem, captando as reações dos outros, tentando adivinhar o interesse e a tendência de cada um… Não a tendência ideológica, mas a tendência de comportamento, o jeito, a maneira de ver a vida. Sei não, ô coisa complicada! O pior é que, eu sei, tem muita gente que espera muito de mim. Já imaginou o tamanho da responsabilidade?
E depois dizem que político é tudo igual… É nada, cada um é diferente do outro e alguns são MUITO diferentes dos outros.

Mas hoje é domingo. Leio jornais, tento por a minha papelada em dia. Volto a pensar nessa história da Imprensa. Passados alguns dias, o golpe nem dói tanto assim. Mas lembro que, no início do mandato, judiaram um pouquinho de mim. Pois não é que escreveram que, numa determinada Sessão da Câmara, eu estava ausente e por isso não votei num projeto importante?
O interessante nessa coisa toda é que eu estava presidindo a Sessão. E na maioria dos projetos, o Presidente só vota para desempatar…

Ah, tem mais: logo nos meus primeiros dias, saiu publicado que eu tinha brigado com meu colega de partido. Estavam faltando, assim, uns cinco mil quilômetros para se chegar à verdade. Que é isso, meu, nunca aconteceu briga nenhuma! Mas tava lá, no jornal! Ééé, tem esse coisa de “joguinho”, de tentarem te jogar contra alguém, de tentar te desestabilizar… Paciência, a vida é assim mesmo, o surrealismo nunca marca hora para aparecer.
Ou será que não?

Bem, amanhã acaba a folga e tem outra Sessão da Câmara.

Boatos à solta! Pelo celular, me perguntam se estou bravo com o jornal, por causa da matéria sobre os “bocejos”.

Que é isso gente, de jeito nenhum… A Imprensa tem o direito de fazer a matéria que quiser, mesmo que tenham sido exageradamente cruéis comigo… Com bom humor, explico que isso não seria suficiente para me deixar bravo. E é verdade.
Mas continuo achando (já estava pensando nisso antes) que o Regimento Interno da Câmara deve ser mudado. Ficar lendo cada pedido (especialmente pedidos de poda de árvores e conserto de ruas) é contraproducente. O tempo de cada vereador deveria ser usado para discussões políticas, para cada um se posicionar, mostrar a sua ideologia.
Pensamento: a reforma política deve começar por uma revolução no papel do Legislativo.

Mais tarde, no mesmo dia…

Sessão da Câmara. Na votação do meu projeto sobre Alimentação Saudável, discuti asperamente com o Vereador Lascane. Acho que ninguém esperava isso, todos devem achar que sou sempre calmo e cordato. Normalmente sou. Mas gosto de respeito e educação. O Vereador Lascane, depois de elevar a voz, parece que entendeu tudo e falou calmamente, explicando que já tinha uma Lei de sua autoria que é semelhante. Gostei dessa mudança de tom e retirei o projeto. Vamos reformular, se for o caso. Mas até que a “briguinha” foi boa…
Mas o “escândalo” mesmo da noite foi a sindicância anunciada pelo Presidente Marcus De Rosis: numa Sessão da semana passada, o áudio vazou e funcionários da Câmara foram ouvidos ofendendo Vereadores. Que vacilo, não? Quem será que eles xingaram?
Aguardemos os próximos capítulos…

Deveria ser um dia calmo, sem sustos. Mas aí saiu a tal matéria dos Vereadores lendo jornal (… que é algo que eles deveriam incentivar….e não criticar!). Pronto, fiquei meio contrariado.

Mas aí veio o meu pai, com a sua experiência e sua proverbial visão das coisas da política, e me tranquiliza. Um assessor ( é aquele veterano que espalha pra todo mundo que não se dá comigo…) comenta que, se fosse em outra época, a reação de certos vereadores seria algo assim:”Claro que estava lendo jornal em Plenário! Tenho que me manter muito bem informado, para servir à população e a Imprensa me ajuda muito….”.

Mas tenho a impressão de que se esse tal assessor fosse vereador, ele reagiria mais ou menos assim: “Qual é o problema? Você queria que eu estivesse lendo um romance por acaso?”.
Brincadeiras à parte, acho que, no final, não me saí muito bem desse episódio. O ego foi lá embaixo e para piorar o Santos perdeu (logo do Corinthians….). Mas por outro lado no final das contas não foi algo muito preocupante. Além do mais, o pessoal da faculdade já tinha feito matéria igual, antes…

Sessão da Câmara. Aproveito o tempo de apresentação de trabalhos dos outros vereadores para me atualizar, lendo um jornal. De repente, percebo que estou sendo fotografado de jornal na mão. Outros vereadores, que estavam lendo ou conversando ou trocando idéias, também foram fotografados. A primeira reação foi ir falar com o repórter, pedir para ele esquecer desse assunto tão banal. Pra quê??? Aí é que percebi que ele viria com tudo…

É, ser Vereador novato não é fácil….
Eis aqui uma lição: um pedido desses, para jornalistas, tem o efeito exatamente contrário, aí é que ele fica ansioso para publicar qualquer coisa.

O que me deixa na dúvida é se esse tipo de matéria não reforça o preconceito de que ler jornal é perda de tempo… Um jornalista condenando a leitura de jornais… É no mínimo estranho.

Não deu para entender: na Sessão da Câmara de ontem (27/8), abri o meu tempo falando a respeito da carta ameaçadora que a Secretaria de Finanças mandou a milhares de contribuintes. Além de reclamar do tratamento, expliquei, aproveitando a transmissão pela TV Legislativa, que a Prefeitura estava falando na verdade de “pendências cadastrais”, segundo consegui apurar junto à Sefin e a alguns Contabilistas. No final, pedi atenção para os repórteres que estavam no Plenário. Em seguida, li Requerimento solicitando que, nestes casos, antes de ser enviada uma carta como esta, que assustou tanta gente, que seja explicado pela Imprensa (especialmente pelo Diário Oficial) do que se trata.
Mas no jornal de hoje saiu publicado que o assunto foi levantado por outro vereador… tanto trabalho para um outro levar a fama… Para completar, saiu uma grande discussão sobre a Saúde, em razão da adenda que apresentei, ampliando os benefícios para todas as categorias da Saúde. Pois nem citaram meu nome no jornal… Que será que está acontecendo?